terça-feira, 23 de setembro de 2008

Elevador.

Não há poesia no elevador.
Outras coisas há.
Ela arruma o sutiã,
Retoca a maquiagem,
Estala o elástico da calcinha,
Enfiado na bunda.
DESCE!
Ele verifica a gravata,
Ajeita a mala,
Põe o nariz no sovaco,
Examina os dentes.
DESCE!
Mas, poesia?
Há outras coisas.
Se o horário os junta:
O olhar se cruza.
A saia é curta.
A pressa é assaz.
No botão é mão na mão.
PÁRA!
Beijo escarnado.
Abraço.
Encoxo tarado.
SOBE!
A saia,
A blusa,
O pau.
Mas poesia não há.
Há química, cabos e roldanas.

Denize Muller


(Uma das 70 poesias indicadas pela Comissão Julgadora para fazer parte do livro de TALENTOS. Foi selecionada entre 1.252 inscritas no concurso www.talentos.wiki.br/poesia.php).

2 comentários:

Tiago Araújo disse...

Adoro esse!!!!!!!!!!!!!!

Queria que você postasse o "Corrimão", ou o "Compactados" ([e isso, né?)
Beijos e saudades!!!
Bode

Marcos Vieira Lobo disse...

Gostei...está entre meus favoritos..se quiser confira meu blog: suaverapina.blogspot