quinta-feira, 2 de outubro de 2008

É o cão

Estou cansada e dentro de minha vadiagem, a vertigem é andar de quatro.
Sim, quatro patas, que em tempos de ira,
Jogo no ar pra ver onde vão bater.

Na vitrine, exposta, está minha carne.
Abatida! Em ganchos perfumando a pele, invertida e rósea.
Gasta pelo tempo e pela memória.

É de quatro que me enrabam, dia após dia. (sem dó, nem abraço).
Tentando me fazer ouvir,
O que não arde mais.

Cada um que chega, tem faca afiada.
Escolhendo a parte mais apetitosa,
Fazendo troça, vão cantando até eu gemer.

Mas, há dias em que me canso, de ser manequim.
Neste açougue-butique.
Onde estou avestruz; cabeça pra baixo e traseiro assado.

Aí, caros amigos, eu guardo o rabo,
Calço as patas, meto a cara pra cima:
E ensurdeço o primeiro que me emputecer.

Denize Muller

3 comentários:

Márcia disse...

t chamo

rebecca.ayres disse...

ADOREI!!!!
Um lado meu riu outro chorou.
Lindo nosso reencontro...amo vc!

Tiago Araújo disse...

te mamo!